Novas da Sónia
Ora espreitem lá e animem-se para uma nova oportunidade na Europa!!! ;)

Para contar um bocadinho sobre a minha vida aqui, tenho que começar no principio. Quando cheguei aqui, o meu chefe não falava ingles e ninguém me explicou o que tinha que fa
zer. Andei um mes a apanhar bonés, casacos, sapatos e a lavar chávenas de café (literalmente)
Muitos dias passaram-se a ouvir grupos de jovens falar e a ver crianças da primária fazer trabalhos de casa. Entretanto, com as mãos, lápis, borrachas e o que aparecia, comecei a tentar ajudá-los com matemática (que
nunca foi de todo o meu ponto forte!!) depois comecei a dar algumas explicações de inglês, francês e de espanhol (sim, no meu Portinhol perfeito!) O meu melhor amigo tem 4 anos e chama- se Lukas. Normalmente sou eu o seu cavalo, ou a mãe ursa ou a alien que faz de conta que esta morta quando ele me atinge com qualquer coisa que na imaginação dele é uma pistola e na minha um sabre laser.
Fui percebendo os problemas e as virtudes de cada um e sou uma pessoa feliz quando pessoas que percebi no inicio dizerem que só iam falar comigo quando eu falasse alemão, agora tentam falar inglês.. mas, entretanto também fui aprendendo umas coisas e dou uns toques no austríaco (sim, que a maior das mentiras é dizerem que na Áustria se fala Alemão!!!) ahah aqui toda a gente tem um dialecto próprio e corre o boato que mesmo eles não se entendem uns aos outros!
Mattersburg é uma vila alentejana, com uma automotora para chegar à cidade mais próxima. E, se viermos de carro, no lado direito da estrada há milho e, do lado esquerdo, girassóis! Às 6 da tarde já não há ninguém na rua. Isto é tipo o Texas! Às vezes acredito que um dia vou ver um rolo de plantas a passar por mim, quando vou para casa.
A parte boa é que de Mattersburg a Viena é como de Palmela a Lisboa… parece longíquo para as pessoas da terrinha, mas é já ali! E é em trinta minutos que me ponho na capital e dali em qualquer capital vizinha! A parte má é que não é assim tão barato e eu não tenho mais fontes de rendimentos além do poket money (110€) que eventualmente, com o custo de vida neste país, podia gastar em 2 noites de copos.
Vivo com uma rapariga da Geórgia (o Nino), refugiada politica e com problemas de identidade de género, que na semana passada me apareceu em casa toda roxa porque foi espancada por um cabeça rapada que pensou que ela era um gajo turco. E agora tenho a Dana, a minha mais recente adquirida filha de dezanove anos, directamente importada da Roménia! :D Ela tem feito os meus dias mais felizes, mesmo se mos ocupa até eu já não ter tempo para mim. A Dana veio substituir a Anna, voluntaria italiana, com quem fiz belas jantaradas, provas de vinhos e a única pessoa que me compreendia nesta organização cujo lema é: Ora et Labora! e que nos obrigava a fazer fins de semana bíblicos com direito a missa privada na Basílica de S.Pedro em Roma. (Acho que com tudo isto, Deus já me perdoou de ter abandonado a Igreja!)



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